Visitar o Parque Aconcágua era um dos passeios que eu mais esperava de toda a viagem.

Combinamos com o Ariel para nos buscar de manhã bem cedo e foi aí que veio a má notícia: Naquele dia a previsão para os Andes era de frio, muito frio (apesar de na cidade estar fazendo um dos dias mais quentes que pegamos por lá: 26˚C) e que, provavelmente, não poderíamos nem entrar no Parque do Aconcágua e que o mesmo, provavelmente, estaria coberto e não seria possível vê-lo, a notícia boa é que nevaria.

Entrando na Ruta 7

Então chegou a dúvida cruel: Ou esperaríamos o dia seguinte (cuja previsão era mais amena e a visibilidade do Aconcágua era maior) ou seguiríamos naquele dia mesmo e pegaríamos a última nevasca do ano em plena Cordilhera dos Andes.

Como eu nunca tinha visto neve na vida… não tivemos dúvida: Seguiríamos naquele dia mesmo e veríamos o que nos aguardava.
 Saímos as 8:30 de uma manhã linda e pegamos a Ruta 7 com destino a magnífica Cordilhera dos Andes. Não preciso nem dizer que a paisagem durante todo o passeio é demais né!?

A primeira parada foi logo na saída da cidade, no lindo lago artificial de Potrerillos. O lago é imenso com uma cor azul intenso quase inacreditável e, no verão, tem várias possibilidades de esportes aquáticos pelo Rio Mendoza. A vista é incrível e é possível ver os resquícios da antiga Ruta 7  e o antigo trilho do trem Transandino que passava, literalmente, por dentro da Cadeia Montanhosa dos Andes e seguia até o Chile. A viagem devia ser espetacular com vistas de tirar o fôlego. Estão até com um projeto de ativá-la novamente. Seria fantástico!

Lago Artificial de Potrerillos

Entrando na pré-cordilheira o visual vai ficando cada vez mais bonito, cada curva é um espetáculo de paisagem, com estrada cortando montanhas, alguns vulcões adormecidos, montanhas formadas por areias coloridas por causa dos minérios que eles contém, picos nevados e uma série de ruínas incas (uma pena que estão totalmente mal conservados e com pouquíssima sinalização), o vento também aumenta consideravelmente. Aliás um casaco é imprescindível nesse passeio, e se for no inverno vá preparado. No dia em que fizemos o passeio saímos de 26˚C em Mendoza para enfretarmos  0˚C no Parque Aconcágua.

Nova Ruta 7 a esquerda, Rio Mendoza no centro e a direita o trilho do antigo transandino

Incrível!

Devagar os picos nevados começam a aparecer

A segunda parada foi em Uspallata, um dos maiores vilarejos da região que ficou famoso por hospedar Brad Pitt nas gravações do filme Sete Anos no Tibet que ocorreu por ali. O vilarejo não tem nada de interessante ou bonito, mas é uma ótima parada para alugar equipamentos mais baratos de ski, ou então, almoçar ou fazer um lanchinho durante o passeio.

Dali fomos direto para a entrada do Parque Provincial do Aconcágua, ali o frio já estava intenso (cerca de 0˚C) e a neve começando a cair timidamente. Mas foi lindo ver aquelas montanhas todas com neve fresquinha.

Infelizmente a previsão estava certa e não conseguimos nem entrar no parque e nem avistar o Aconcágua propriamente dito, mas a paisagem não ficou menos interessante ou menos bonita por isso. Em uma palavra apenas conseguimos descrever o que vimos: LINDO!

Como fomos no inverno, apesar de ser final da estação, ainda estava nevando e não conseguimos seguir viajem, várias barreiras policiais alertavam que a fronteira com o Chile estava devidamente fechada por causa da neve. Portanto nem tentamos.

Na volta paramos em Puente del Inca, um vilarejo minúsculo incrustado nas montanhas e com uma ponte natural formada por minerais em cima do Rio Cuevas (um dos braços do Rio Mendoza). Aliás, ali existia um hotel chiquérrimo de inverno (eu bem que queria muito ter visitado nessa época por que deveria ser uma delícia) que tinha perto do rio e conectado por um túnel subterrâneo a um spa de águas sulfurosas e que foi desativado por causa de deslizamentos. Dali restou apenas a ruína do spa, a ponte natural e a igrejinha (uma graça!) do hotel.

A ponte natural e abaixo o Spa do hotel

Uma igrejinha perdida nos Andes

Em frente, o prédio do que foi a última estação da Transandina na Argentina, em volta uma série de albergues para os alpinistas do Aconcágua e várias barraquinhas vendendo produtos e artesanato da região.

Estação de trem

Artesanato local

O frio aumentava e a neve também, então decidimos que a nossa última parada seria na estação de ski Los Penitentes. A maior estação de ski por ali, apesar de existir pelo menos mais umas 2 ou 3 menores, onde o aluguel de ski é bem mais barato. Mas a estrutura de Los Penintentes não se compara: hotéis, restaurantes, instrutores para todos os lados…

Estação de Ski Los Penitentes

Pelo caminho, ainda é possível ver vários vilarejos pequenos, o cemitério de alpinistas, algumas ruínas incas, e instalações militares.

Cemitério dos alpinistas e atrás resquícios da antiga ferrovia

O dia foi incrível e terminamos com apenas uma certeza: Mendoza merece ser visitada em duas épocas diferentes do ano, uma no verão e definitivamente uma no inverno. A imagem de ver os Andes e todo o Parque Pronvicial branquinhos, forrados de neve e pegar a última (e, no meu caso, primeira) nevasca do ano no meio dos Andes foi inesquecível e especial. Porém a travessia até o Chile e conseguir entrar no Parque e avistar o Aconcágua devem ser incríveis também.

Nevando em Los Penitentes…

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